BusinessDrops: Mercado se anima com metaverso, mas…

1 – Mercado se anima com metaverso, mas…

Após a mudança do Facebook para Meta e seu novo direcionamento estratégico para desenvolver uma nova versão da internet a partir de tecnologias como realidade virtual e realidade aumentada (o chamado metaverso), especialistas afirmam que as aplicações que se utilizam destes recursos serão cada vez mais comuns daqui por diante. Mas…

O próprio Facebook (agora Meta) talvez não seja o mais cotado para dominar este cenário. E por quê? Bom, a despeito da imensa capacidade de desenvolvimento que a empresa possui, outros players com pretensões menos espetaculares e cinematográficas certamente já estão na dianteira quando o assunto são comunidades gigantescas e aplicações no mundo virtual.

A maioria deles no setor de games: PUGB online, Honor of Kings, Roblox, Pokemon Go e CoinMasters são algumas das plataformas virtuais que já movimentam mais de US$ 1 bilhão ao ano. Com a entrada de NFTs e criptomoedas na jogada (ouçam o episódio 20 do #coin2biz onde comentamos sobre isso aqui), é bem provável que o setor se amplie absurdamente nos próximos anos.

2 – De acordo com o banco Morgan Stanley, o metaverso representa um mercado potencial de US$ 8 trilhões

Mas os principais analistas da companhia estão céticos em relação à capacidade do Facebook (agora Meta) de liderar essa corrida. Mais uma vez, não se trata de menosprezar a capacidade gigantesca da empresa. Mas a verdade é que em suas abordagens anteriores para servir de plataforma absoluta para a navegação na web, a big tech de Mark Zuckerberg falhou. Você pode ler a reportagem completa do Business Insider (em inglês) aqui.

3 – Ainda sobre metaverso e curva de adoção da inovação

Quem já foi meu aluno em disciplinas onde falamos sobre inovação e tendências certamente vai lembrar que toda nova oferta possui uma curva de adoção em geral lenta. Não bastasse isso, a possibilidade da novidade morrer no meio do caminho (o vale da morte da inovação) também é grande.

No caso de metaversos ou qualquer aplicação que use realidade virtual ou aumentada, porém o principal impedimento não é a tecnologia, pois já temos recursos para a façanha. O problema é que eles ainda não são nada práticos. Enquanto precisarmos de um capacete gigante para acessar os mundos virtuais, estas serão sempre aplicações de nicho, restritas a um número pequeno de entusiastas. Lembram dos televisores 3D? O público já se incomodava de usar um simples óculos. Que dirá um capacete…

4 – E no mercado da computação

A IBM apresentou esta semana seu novo processador quântico, o Eagle. Embora ainda não seja disponibilizado para produtos comerciais de massa (ainda não há uma previsão clara de quando isso seria possível), os números impressionam: de acordo com cientistas, o processador seria capaz de realizar em apenas três minutos cálculos que nossos computadores atuais demorariam 600 milhões de anos para processar (não é exagero! Veja o link do artigo na Forbes aqui).

A computação quântica levará a nossa tecnologia a um novo patamar (e possivelmente redefinirá todo o mercado de tecnologia em um futuro não muito distante). Comentamos brevemente sobre isso no episódio do Talk2Biz Tech! sobre o Windows 11 e a estratégia da Microsoft, que você pode ouvir aqui.

5 – Enquanto isso, no metaverso dos infernos chamado Brasil…

A polêmica envolvendo o touro dourado instalado em frente à B3 continua. Alvo de protestos, o pitoresco animal claramente representa a incapacidade de uma parcela da nossa sociedade de compreender o brejo em que estamos. Além disso, reflete o descolamento de parte das classes mais altas, dos hipsters de plantão, dos empreendedores e gurus de rede social e dos pobres versão premium, que parecem viver em uma realidade burlesca construída a partir de filtros do Instagram.

Nada contra o bovino ou o mercado financeiro, pelo contrário. Mas claramente não há empatia ou qualquer bom senso na atitude, pra dizer o mínimo. Qualquer estagiário na área de Relações Públicas teria alertado sobre os problemas potenciais… Contudo, na atual conjuntura brasileira, é natural que muitos tenham perdido qualquer pudor em se comportarem como verdadeiros cretinos.

Como tweetou o jornalista Pedro Dória, editor do Meio: “A Faria Lima é brega e deslumbrada (…) Num país onde a fome volta, em que a economia dos anos 1980 bate à porta, celebra a própria riqueza se alienando da realidade num nível criminoso. É a cara do momento brasileiro”.

Sobre o BusinessDrops:

O BusinessDrops é uma coluna semanal produzida pelo professor Bruno Garcia com comentários e análises sobre os principais assuntos da semana no mundo dos negócios. Ela é enviada prioritariamente por e-mail e depois disponibilizada aqui em nosso blog.

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