BusinessDrops: Spotify se prepara para briga com TikTok?

– Spotify se prepara para briga com TikTok?

Aparentemente, mais um grande player digital vai entrar na briga pelo mercado de vídeos curtos, verticais, dançantes (e na maior parte das vezes, inúteis…): o Spotify. O maior serviço de streaming de música do mundo parece estar testando o recurso. Usuários norte americanos do app no sistema iOS puderam visualizar a nova funcionalidade na última semana.

Em resposta a uma reportagem publicada pelo site TechCrunch, a empresa confirmou os testes, mas afirmou não ter previsão de quando o novo recurso estará liberado, se é que estará um dia. Segundo a nota, é comum dentro da organização que se testem novos recursos e funcionalidades para ampliar a experiência do usuário.

Sendo o mercado de vídeos curtos verticais um negócio com grande potencial e ainda em fase de crescimento, parece natural que a empresa estude a possibilidade, embora isso se distancie um pouco da sua proposta principal. O TikTok é o maior player neste segmento, seguido pelo Instagram. O YouTube Shorts (iniciativa do Google neste sentido) também já comemora relativo sucesso. Em agosto desse ano, no relatório de fechamento do segundo trimestre de 2021, a empresa já comemorava as impressionantes 15 bilhões de visualizações diárias dentro da plataforma.

2 – Produção industrial no mundo tem breve retomada, mas Ômicron pode forçar nova “puxada no freio de mão”

Os mercados internacionais voltam a acender sinal de alerta, graças à variante Ômicron detectada recentemente. Em particular na Ásia, onde fábricas da China, Japão, Coréia do Sul, Índia, Vietnã e Filipinas registraram tímida recuperação em novembro, a preocupação é grande. Já falei em uma edição do Talk2Biz Tech sobre a crise de abastecimento de semicondutores (os microchips que estão presentes em praticamente tudo o que usamos atualmente). Ouça o programa aqui. Mas este é apenas um dos setores impactados: as principais economias da Ásia respondem hoje por praticamente 50% da produção industrial do planeta. Os Estados Unidos ocupam a segunda posição, com pouco mais de 16%, enquanto os países da Europa somados chegam a pouco mais de 13% (apenas a título de comparação, o Brasil responde por apenas 1,19%). Os dados são do relatório de indicadores econômicos da CNI, publicados em agosto de 2020. Link aqui.

Caso as preocupações com a variante Omicron se confirmem, podemos esperar novas quebras no abastecimento global de inúmeros produtos. Os setores de maior valor agregado (que dependem de maior tecnologia produtiva) tendem a ser mais afetados. Enquanto isso…

3 – Arábia Saudita anuncia a construção de cidade industrial flutuante

Parece coisa de filme cyberpunk, mas não é: a Arábia Saudita anunciou que pretende desenvolver o maior complexo industrial flutuante do mundo, a Oxagon. O novo distrito será construído no Mar Vermelho e focará em atividades ligadas a áreas específicas como telecomunicações, tecnologia espacial, construção civil, mobilidade autônoma e energia sustentável. A “ilha artificial” também servirá de centro portuário e comercial. A Oxagon faz parte de uma iniciativa ainda maior, o projeto NEOM, uma nova região urbana que está sendo erguida em uma área de 26 mil quilômetros quadrados perto das fronteiras com a Jordânia e o Egito.

O investimento até agora no projeto NEOM é de US$ 500 bilhões. As autoridades sauditas, contudo, não divulgaram o custo do distrito industrial flutuante. O objetivo é fazer da região um polo de tecnologia e inovação (e também ampliar a participação árabe na produção tecnológica mundial). Economias até então ancoradas no petróleo já avistam um horizonte diferente (e com novas fontes de receita).

Aliás, já que o assunto é petróleo…

4 – Nissan anuncia investimento trilionário para “eletrificar” sua frota

A Nissan anunciou um investimento de 2 trilhões de ienes (cerca de US$ 18 bilhões) para ampliar de forma acelerada sua participação do mercado global de veículos elétricos. Em comunicado no início desta semana, a terceira maior montadora do Japão prometeu investir pesado para migrar pelo menos metade da sua frota para a nova matriz energética até 2030. A empresa também pretende ampliar as suas pesquisas para reduzir em mais de 60% o custo de fabricação das baterias. Embora ainda seja ínfimo perto do segmento tradicional, o setor de elétricos teve crescimento de 41% em 2020.

Além disso, todas as montadoras vêm aumentando os esforços para se posicionar enquanto Tesla e outras entrantes passaram por uma hipervalorização nos últimos dois anos (apesar de terem uma participação minúscula no mercado automotivo mundial). A Tesla, por exemplo, vendeu 500 mil carros em 2020, enquanto só a GM vendeu mais de 6 milhões. Apesar disso, o valor de mercado da montadora elétrica já chegou a US$ 1 bilhão, muito maior que todas as demais somadas. Todos sabemos o quanto de hype e especulação existe por trás deste tipo de hipervalorização, mas não há dúvidas de que os carros elétricos serão a maioria dentro de alguns anos.

Gravei um Talk2Biz Tech sobre este tema. Você pode ouvir aqui. E já que o assunto é hype e especulação…

5 – Apple estaria desenvolvendo óculos inteligente para substituir iPhones

As notícias pipocam por aqui e por ali sobre a Apple estar desenvolvendo o seu óculos inteligente, o Apple Glass. O projeto estaria sendo tocado em total sigilo junto à empresa TSMC, que fornece os processadores para iPhones e iPads. Diferente do Google Glass, apresentado em 2013 e arquivado menos de um ano depois, este novo wearable será mais parecido com óculos tradicionais, com todas as informações sendo exibidas nas próprias lentes. De acordo com os rumores, a empresa teria como objetivo lançar o óculos em 2023, mas antes disso, pretende também lançar um capacete para realidade virtual e aumentada já no ano que vem.

E já que vamos todos mergulhar de cabeça em algum metaverso…

6 – CD Projekt RED anuncia relógio do jogo Cyberpunk 2077

A CD Projekt Red, desenvolvedora de jogos responsável por sucessos como a série The Witcher e o mais recente Cyberpunk 2077, anunciou a pré-venda de um relógio de pulso baseado no jogo. Não só isso: a edição limitada terá certificação digital baseada em tecnologia blockchain. O projeto é fruto de uma parceria com a empresa Blonie Watches. Contudo, depois dos problemas de lançamento (para não dizer fiasco) com Cyberpunk 2077 em dezembro do ano passado, um relógio talvez seja pouco para recuperar a boa vontade da comunidade gamer.

E para fecharmos com chave de ouro (ou não)…

7 – Já tem gente vendendo (e comprando) terrenos em mundos virtuais

Parece piada, mas não é. O hype do metaverso e da realidade virtual é bem maior do que a minha racionalidade poderia supor. Tanto que já existem empresas especializadas na venda de “espaços” dentro de universos digitais. O assunto ganhou novo fôlego com os recentes anúncios da Meta (antigo Facebook) e na última semana, quando um “terreno” foi vendido por R$ 13 milhões dentro de uma plataforma digital chamada Decentraland. Como de costume, as pessoas têm memória fraca e os especuladores, um faro astuto e rápido para capitalizar em cima dos modismos.

A despeito do dinheiro que é movimentado por plataformas virtuais (Roblox é um bom exemplo), esta movimentação quase sempre se refere a compra de itens, acessórios, poderes especiais e adereços que dão aos jogadores novas possibilidades ou simplesmente um visual customizado. O movimento de marcas (e de especuladores) para estes ambientes é lícito, porém preocupante. Não necessariamente nesta ordem, mas marcas geram potencial fluxo de produtos e vendas, o que gera interesse e maior valorização dos supostos “espaços”, o que cria os movimentos de sobe e desce dos preços (e isso atrai os especuladores). O hype do Second Life nem tem tanto tempo assim, mas as pessoas aparentemente já esqueceram do seu melancólico final.

Nos dias atuais, com o avanço da tecnologia e o advento de blockchains, criptomoedas e NFTs, a hipervalorização destes espaços pode de fato criar uma bolha econômica do mundo virtual (que pode fazer muita gente perder dinheiro de verdade no mundo real). Falei sobre este assunto no episódio 20 do Coin2Biz. Você pode ouvir clicando aqui.

Artigo no blog: metaverso é pura espuma para especuladores?

Não há respostas certas ou erradas em relação a tópicos de tecnologia, economia e mercado. E não tenho dúvidas de que todos os elementos referentes ao mundo digital, metaverso etc. etc., vieram para ficar. Contudo, ainda há muita “espuma” nesse mercado, bem mais do que produtos efetivos e soluções práticas. Publiquei artigo no blog do Talk2Biz falando justamente sobre isso: o quanto das novas propostas são frutos de um problema de miopia de mercado e como isso dificulta que elas sobrevivam ao processo de curva de adoção de inovação. Você pode ler aqui.

Sobre o BusinessDrops:

O BusinessDrops é uma coluna semanal produzida pelo professor Bruno Garcia com comentários e análises sobre os principais assuntos da semana no mundo dos negócios. Ela é enviada prioritariamente por e-mail e depois disponibilizada aqui em nosso blog.

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