BusinessDrops: Um bilionário contra o Twitter (ou a favor…)

Uma das notícias que mais ganhou destaque nas duas últimas semanas diz respeito ao movimento de Elon Musk, o bilionário fundador da Tesla Motors, para adquirir o Twitter. Musk estaria tentando o que o mercado classifica como uma “aquisição hostil” (quando um indivíduo ou empresa parte para uma compra massiva de ações da companhia a ser adquirida, formando maioria e pegando a administração da mesma de surpresa).

Musk possui hoje 9% das ações do Twitter e iniciou uma batalha pública (pelo próprio Twitter) para desacreditar a administração atual (o CEO Parag Agrawal e o próprio conselho de administração da companhia). O bilionário também tornou pública uma oferta US$ 43 bilhões pela plataforma, além de divulgar conversas privadas que ele teve com alguns do executivos da empresa.

Conforme escreveu o jornalista Abram Brown para a Forbes, “aumentando ainda mais o espetáculo público, ele (Musk) divulgou as mensagens de texto que havia enviado ao presidente Bret Taylor”. Bret Taylor é presidente do Conselho de Administração do Twitter e Co-CEO da SalesForce.

Ou seja, Musk sendo Musk. Não é de hoje que o fundador da Tesla deixou o posto de “queridinho” herói do empreendedorismo mundial, para se tornar uma figura controversa, no mínimo.

Mas quais seriam os interesses de Musk?

O Twitter é uma das plataformas sociais mais pitorescas já criadas até agora. Apesar do status adquirido ao longo do tempo, enquanto empresa ele sempre enfrentou dificuldades para gerar retorno para os seus investidores. E nas falas publicadas pelo fundador da Tesla, a dificuldade seria gerada pela própria equipe administrativa, em especial pelo Conselho de Administração. Caso a aquisição fosse concretizada, Musk prometeu inclusive tornar o Twitter novamente uma companhia de capital fechado.

Não pode ser desconsiderado o poder de influência do bilionário em relação a assuntos digitais: suas postagens podem alavancar criptomoedas, da mesma forma que podem também derrubar o valor de ações de companhias de grande porte.

Adquirir uma grande estrutura de mídia (onde ele já possui um imenso quantitativo de seguidores) seria uma garantia para ter oportunidades gigantescas e um grande canal para criar suas “movimentações” (ou poderíamos chamar de turbulências) junto à opinião pública?

O Twitter se defendeu: para se precaver de uma aquisição hostil, adotou antecipadamente medidas para garantir que os atuais controladores se mantenham no comando. De acordo com os novos termos, se qualquer acionista adquirir mais de 15% de participação sem a aprovação do conselho, os demais acionistas poderão comprar novas ações da companhia com desconto.

Também de acordo com especulações da mídia, a plataforma estaria buscando outras empresas de porte com as quais poderia se associar de maneira menos traumática (ou seja, uma compra não hostil). Um dos primeiros nomes especulados pela imprensa especializada seria a Microsoft. A empresa criada por Bill Gates tentou recentemente adquirir o TikTok.

Aguardemos cenas dos próximos capítulos.

– Jogo Rápido

1) E no mundo encantado dos NFTs: Um dos primeiros NFTs a ser movimentado no mercado foi o primeiro tweet do fundador do Twitter, Jack Dorsey. O NFT da sua postagem foi vendido em março de 2021 por US$ 2,9 milhões (sim, esse valor mesmo que você leu…). Porém, nas últimas semanas, o mesmo “ativo” digital foi à leilão. Para a surpresa (?) de muitos, os lances não chegaram nem a US$ 10 mil. Keanu Reeves certamente deu uma risada de sua cadeira (entendedores entenderão…). Especula-se o óbvio: arquivos digitais que não servem para absolutamente nada e que não geram qualquer camada de exclusividade para aqueles que os adquirem só possuem valor enquanto dura o hype e enquanto seus compradores podem aparecer na mídia ostentando gastos perdulários.

Quando o hype passa, ninguém mais quer bancar o otário.

Alguém aí lembrou do hype em relação ao metaverso? Se você foi um dos que andou adquirindo terrenos por lá, talvez seja hora de fazer uma ligação para a imobiliária…

2) Netflix perdendo assinantes: Pela primeira vez em dez anos, a Netflix encerrou um trimestre perdendo mais assinantes do que adquirindo novos. A redução foi de 200 mil usuários de janeiro até agora. A companhia já anunciou que até o meio deste ano, serão pelo menos mais 2 milhões de desistências. De acordo com notícia publicada por Guilherme Jacobs no Chippu, “foram 700 mil assinantes perdidos pela saída do serviço da Rússia como consequência da invasão a Ucrânia, e mais 600 mil perdidos pelo aumento de preço na América do Norte”. Não pode ser desconsiderado o peso dos concorrentes (que antes não existiam), mas agora podem estar finalmente incomodando a gigante do streaming. A companhia já anunciou que pretende oferecer planos mais baratos e com a inserção de anúncios.

3) Fifa anuncia seu próprio serviço de streaming: Por falar em streaming, a Fifa anunciou a plataforma Fifa+ (nome super original), que promete transmitir até o final deste ano cerca de 40 mil jogos ao vivo. A plataforma também contará com uma seção chamada Archive com mais de 2,5 mil vídeos de jogos desde a década de 1950. Qual pode ser o tamanho deste impacto para as plataformas de mídia tradicionais (emissoras de TV e grandes redes) nos próximos 20 anos? Será a Fifa capaz de um bypass em seus parceiros de longa data? Vamos acompanhar.

4) Você já se alfabetizou em relação aos dados digitais? Uma pesquisa publicada pela Qlik, empresa de soluções de análise de dados, revela que até 2030, a alfabetização em relação a dados digitais será uma competência tão essencial quanto saber usar um computador ou smartphone hoje. De acordo com notícia publicada no portal Mundo do Marketing, “funcionários pesquisados globalmente relatam que o uso de dados e sua importância para a tomada de decisões dobraram no ano passado, enquanto 89% dos executivos esperam que todos os integrantes da equipe possam explicar como os dados influenciaram suas decisões”. E você, está preparado para ser data driven?

5) Trabalho remoto ou híbrido já! Estudo global realizado pela Microsoft revela que 58% dos profissionais brasileiros pretende migrar para um trabalho híbrido ou 100% remoto até o final deste ano. A tendência é mundial. De acordo com notícia publicada pelo CanalTech, “ao redor de todo o mundo, 57% dos funcionários que atuam em diversas indústrias têm a intenção de mudar para o trabalho híbrido, enquanto 51% daqueles que já atuam de forma híbrida expressam desejo de mudar para o regime remoto. Além disso, para 53% dos profissionais entrevistados, o bem-estar e a saúde passaram a ser fatores ainda mais importantes do que o trabalho”.

6) O Brasil é gamer? Uma pesquisa revelou que 74,5% dos brasileiros se consideram gamers. O número me parece um pouco alto, mas o relatório é da 9ª edição da Pesquisa Game Brasil (PGB), desenvolvida pelo Sioux Group e Go Gamers em parceria com Blend New Research e ESPM. Neste ano, o estudo ouviu 13.051 pessoas em 26 estados e no Distrito Federal entre os dias 11 de fevereiro e 7 de março.

A grande chave para entender o alto percentual é o mercado mobile, que ajudou a democratizar o acesso a jogos e ampliar o público (o público para jogos em videogames tradicionais ou em computadores tende a um perfil mais tradicional). Mundialmente, o mobile gaming já movimenta mais que os setores de jogos para consoles e PC gaming.

Sobre o BusinessDrops:

O BusinessDrops é uma coluna produzida pelo professor Bruno Garcia com comentários e análises sobre os principais assuntos no mundo dos negócios. Ela é enviada prioritariamente por e-mail e 48 horas depois disponibilizada aqui em nosso blog.

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